•21 Outubro, 2008 • 3 Comentários

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The Mermaid’s Moon

•9 Setembro, 2009 • 1 Comentário

Prepare-se.
Feche os olhos.
E ouça…
( O Mar rufa em trovões assustadores, na batida de deu proprio coração.
Em cada onda, um vislumbre… O ar cheira a Sangue, Sêmen, Sal, Suor e Sonhos… )
Sob a lua…
Ela canta.
E sua canção, perdida sobre a pauta do vento, está a lhe contar segredos há muitos esquecidos…

* * *

Esta é uma página de Sonhos…
De estórias a serem contadas, perdidas em infindáveis grãos de areia.
Fragmentos de magias & perigos,
de mentiras & luz das estrelas …
((Texto de Abertura escrito em janeiro de 1998, para um projeto de site que nunca foi concluído…))

As encruzilhadas do labirinto…

•2 Setembro, 2009 • Deixe um comentário

Os ditirambos da razão. As encruzilhadas do labirinto.

Juízos analíticos, claros  sintéticos. Kant, onde está a coisa em si? Jamais conhecerei o nóumeno?

Urteil. Dividir e conquistar. Dividir e conhecer. Das partes alcançar o todo. Ou do todo alcançar as partes? Eu sou a pessoa mais racional que conheço. E ainda assim não sou racional.

Os ditirambos da razão… A clareza que cega.  Onde está o todo, quando só enxergamos as partes. Brilhantemente, as partes.  Descartes, como pode a infabilidade da razão se fiar na fé? Juízos claros e  distintos, em última instancia se fundamentando na certeza de que um gênio maligno não atrapalha o processo, não se pondo entre o sujeito cognescente e o objeto cognoscível?

Hegel, Hegel… Pelo menos vc diferencia razão e entendimento.  Mas uma razão dialética, uma razão que trabalha a partir de contradições que não mais se contradizem, porém se englobam em um todo que o entendimento deixa escapar, não é outro ditirambo da razão? Hegel Hegel. O pensador do estado é o mais revolucionário.  Mas ninguém vê. Talvez um dia eu compreenda você.

O orgulho da razão.  O esquecimento de seus fundamentos…  Qual é o fundamento do fundamento?   Toda certeza, em  última instância é incerta. Qual o fundamento do fundamento. Abgrund. O fundamento se funda no vazio.   As pessoas deveriam ler Hume antes de falar “cientificamente comprovado”.  Como pode o conhecimento que se diz absoluto (Newton, vc não conseguiu ainda! Não são equações matemáticas que as pessoas enxergam ao ver o por do sol! Talvez em mais um século vc consiga!)  se fundar no hábito? Serão todos os cisnes brancos só por que ainda não se viu o preto? Cientificamente, sim. Fatos, fatos. O que é um fato, se não algo inserido em um contexto, a partir do qual este ganha seu significado?  Hermenêutica.

Matematização do real. A razão é masculina, patriarcal, guerreira, conquistadora. Todo raciocínio é um estupro.  Quantas vezes terei de ouvir que, para uma mulher,  eu não me deixo levar pela sensibilidade ? Eu sou uma pedra.  Por que a razão recebe um a na frente?  Ela não é feminina.

Sou dura e afiada, comigo não existem mais meias palavras, coisas não ditas, duplos sentidos.  É isso o que o discurso pseudo filosófico corrente na academia faz comas pessoas. Cuidado crianças!

O homem é um animal racional, já dizia  Aristóteles. Quantas vezes este pobre coitado será mau compreendido e mau traduzido?  O animal provido de logos a que ele se referia não é esse conceito tacanho corrente  no senso comum (ao qual nem mesmo mais os cientistas dao crédito em tempos de física quântica, wormholes e um elétron que pode SIM estar em lugares diferentes no espaço ao mesmo tempo).  Logos. A mesma palavras que está no evangelho de São João. “E no princípio era o verbo…”  Logos. Pensamento, palavra, verbo, reunião , fala.  A melhor tradução é que o homem é o animal capaz de falar…

(Gestell.  Esta é a palavra  para a essência de nosso tempo. A razão anda de braços dados com o niilismo. Tudo disponível.  Tudo é quantificável. E ao mesmo tempo,  tudo é fonte de lucro. Nada tem valor. )

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Não sou…

•9 Julho, 2009 • 2 Comentários

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Não sou os lugares onde estive, nem os livros que li.
Não sou as coisas que vivi, nem nada do que estudei.
Não sou o que aprendi.
Não sou as pessoas que conheci, nem nenhuma das experiências que tive.
Não sou ninguém.
Não sou nada disso nem daquilo.
Não sou.
Simplesmente, não sou.
Mas fui, por uma fração de segundo, cada uma das coisas que amei.

Eternidade que não dura.

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Eu quero ir embora

•29 Junho, 2009 • 3 Comentários

Hinfart Miroque Festival 02 sept 07 (4)

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E a vontade de fugir tem crescido cada vez, dia a dia, minuto a minuto. E em todo meu coração, é só nisso que eu penso.

I Just want to keep walking. Just… keep walking.

Até quando, meu deus, até quando? Até quando essa vontade de sair correndo, de fugir e de não olhar para trás, de não fincar raízes…? Justamente porque o que eu mais queria era fincar raízes. O lar sonhado. O jardim que um dia eu construirei. Minhas rosas, meus animais. Meu ninho. Mas eu não consigo. Não ainda. Ou talvez não me seja jamais possível. Exílio, sempre a sensação de exílio…  Esta maldita sensação de não pertencimento.

De pertencer ao mundo, mas não a um local em específico. Não tenho casa…  Tenho sim, muitos amores — muitos locais queridos e pessoais, e também pessoas, muito e para sempre amadas. Tenho momentos que coleciono como pérolas no sacrário do meu coração. Já tive casas, muitas casas.  Mas não aquele lar definitivo, para onde meu coração sempre quer voltar. Uma lareira, e um vinho quente com especiarias a minha espera ao fim da mais longa jornada. Ou tenho, mas ele não existe neste mundo. Meu coração quer voltar para um lugar que não sabe como encontrar,talvez.  Acho que esta trilha eu perdi. Mas eu sempre olharei às estrelas a noite, e contemplarei Órion, e não saberei ao certo para onde ele aponta. Só saberei da saudade que me corta.

Gaia, a própria terra, minha amada terra… De algum modo, você toda é meu lar. E meu exílio. Não moro em nenhum recanto seu — talvez porque queira te ter inteira?  Minha amada, minha maior escolha, e minha maior dor. Escondo minha cabeça em suas nuvens,  balanço meus pés em um lago desconhecido na floresta negra, quero que meus cabelos sejam lavados nas águas negras do Rio Negro, aonde durmo embalada pelas ondas macias… Ainda quero subir todas as tuas  montanhas e ver as veias da tua face, colecionando pedras e conchas de todos os seus desterros e confins. Quero que meu coração ache paz em um Ashram na Índia, onde me esconderei um dia, e apagarei minha memória. Eu quero conhecer tuas trilhas, teus cheiros, tuas cores. Cada uma delas. Quero te percorrer inteira. Just walking.

Preciso partir. Inglaterra desta vez. Depois leste europeu. Até chegar na Índia. E ai, quem sabe… Austrália? Indonésia? Bali? Não sei. Talvez sim. Talvez não.

Não sei… Não sei de nada. Nunca soube. Meu coração não tem paz.

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E o pior é saber da inutilidade disto tudo, volta hermenêutica sobre mim mesma. Pois eu sei que há um momento em que todas as estações de trem são iguais. E iguais são todos os aeroportos. Todos os caminhos, e todas as montanhas. Não faz diferença. Andar e partir, ficar e dormir…. é o mesmo. Não se pode partir e deixar a própria sombra para trás.

Eu estou cansada de caminhar. E ainda assim, eu quero ir embora. Porque eu não sei permanecer.  E também não tenho porque ficar.

Just… keep walking.

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“Teus olhos, sempre puros” – Paul Eluard

•29 Junho, 2009 • 2 Comentários

“Dias de lentidão, dias de chuva,
Dias de espelhos quebrados e de agulhas perdidas,
Dias de pálpebras cerradas ao horizonte dos mares
De horas sempre iguais, dias de cativeiro.

Meu espírito que brilhava ainda sobre as folhas
E as flores, meu espírito está nu como o amor,
A aurora que ele esquece fá-lo baixar a cabeça
E contemplar seu corpo obediente e vão.

No entanto, eu vi os mais belos olhos do mundo,
Deuses de prata que traziam em suas mãos safiras,
Deuses verdadeiros, pássaros na terra
E na água, eu os vi.

Suas asas são as minhas, nada existe
Salvo o seu vôo que sacode a minha miséria,
O seu vôo de estrelas e de luz,
Rio, planície, rocha, o seu voo,
As ondas claras das suas asas,

O meu pensamento sustentado pela vida e pela morte.”

Dias sem rastro…

•27 Maio, 2009 • 1 Comentário

Unbenannt“Existem anos que escorrem como areia entre as mãos. Durante os quais alguém acredita estar vivo apenas porque escova os dentes e se arruma pela manhã. Ou porque vai trabalhar. Ou porque tem medo.

Existem dias sem rastro.”

J.P. Feinmann, em ‘A sombra de Heidegger’

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de um louco anônimo…

•13 Maio, 2009 • 1 Comentário

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“Estive doente
doente dos olhos, doente da boca, dos nervos até.
Dos olhos que viram mulheres formosas
da boca que disse poemas em brasa
dos nervos manchados de fumo e café.
Estive doente
estou em repouso, não posso escrever.
Eu quero um punhado de estrelas maduras
eu quero a doçura do verbo viver.”

(De um louco anônimo, transcrito por Caco Barcelos na reportagem Crime e loucura, publicada na extinta Folha da Manhã, Porto Alegre, RS. apud ABREU, Caio Fernando. O ovo apunhalado)

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do epílogo de El Hacedor, de Borges:

•11 Abril, 2009 • 3 Comentários

“Um homem se propõe a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos, povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de montanhas, de baías, de naus, de ilhas, de peixes, de moradas, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem de seu rosto.”

Requiem

•8 Abril, 2009 • 2 Comentários

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“Já me dei ao poder que rege meu destino. E não me prendo a nada para não ter nada a defender. Não tenho pensamentos, por isso verei. Não receio nada, por isso me lembrarei de mim mesmo. Desprendido e à vontade, passarei como um jato pela águia para me tornar livre.” (Castañeda)

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Revendo texto antigos em outro lugar, achei parte do texto que vou transcrever aqui, com adaptações. Mesmo sendo de quase um ano atrás, achei tão meu momento atual, que não tive como não copiar. Engraçado, parece que nesse ultimo ano, tanta coisa veio ainda à tona, coisas até que eu julgava já encerradas, que eu nem lembrava e vindo de um passado tao remoto que nem eu sabia existir. Acho que tudo oque veio à tona desde então foi para encerrar velhos processos… E me tornar de fato livre.  Como o último suspiro antes da morte, que parece tão forte… Mas só é o derradeiro esforço, a última reunião de forcas… e fim.

Tanta coisa me aconteceu nos últimos dois anos… piruetas radicais, tapas figurados certeiros, loopings emocionais, pessoas que entraram e saíram da minha vida. E muitas lições aprendidas.Minha vida e minhas certezas, meu futuro tão previsível, conseguiu se revirar e modificar tanto e tão radicalmente, que não conseguiria contar nem metade para alguém ser ar de descrédito!Perdi todas as certezas e caprichos que já tive nesta vida, um a um. Perdi tudo! Perdi muita coisa,  e muita coisa também está voltando… E só assim pude me achar de verdade e ver que minha vida é preciosa demais para desperdiçá-la…

E hoje, só posso (mais uma vez) agradecer ao poder que rege meu destino por não ter me deixado morrer por dentro. Pela clareza. Pela mente afiada que um dia já me aprisionou, mas que hoje é só uma ferramenta. Minha melhor ferramenta, mas ainda assim, apenas isso.

Eu estou viva. Mais viva do que nunca. E sou livre.

Meu coração bate no meu peito com essa certeza, e com planos para o que virá. Que eu não sei ao certo como será, gracas aos deuses! Porque se eu soubesse, não teria a menor graça.
Só sei que só que vou viver minha vida até o fim! Em toda dor e delícia, glória e abismos que são a marca deste nível da realidade…

Então mais uma vez posso dizer:

AMOR FATI, sempre.

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Ser livre e fluída como a água, mas dura e brilhante como um diamante.

Nada possuir, só a mim mesma! Que minhas coisas sejam tão livres quanto eu. Só se perde oque nunca se teve, no fim das contas.

Ainda sobre cura, mas também sobre finais

•6 Abril, 2009 • 1 Comentário

elentari

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“(…) full of light, high and fair, beautiful as a queen among other queens: not a mistress of many slaves, nay, not even a kind mistress of willing slaves.”

J.R.Tolkien. LOTR: The two Towers

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As vezes, a única forma de se curar uma ferida é se permitindo sentir a dor até o fim.

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A melancolia foi minha companheira por longos anos, mesmo nos momentos em que eu parecia feliz. Acho que eu congelei meu coração alguns anos atrás, para não sentir mais uma dor que eu nem mesmo lembrava de onde tinha vindo. Li certa vez que, à medida em que crescemos, guardamos em nosso corpo nossos traumas emocionais, que se manifestam na forma de dores e problemas variados, ao mesmo tempo que bloqueiam nosso fluxo energético e nos impedem de crescer, de amadurecer emocionalmente…

(Quantas pessoas você conhece por aí que parecem adolescentes, ou mesmo crianças –  em situações extremas, quando as máscaras caem, sobretudo do ponto de vista emocional?)

Acho que nunca fui de fato inteira, não que eu me lembre. Há anos que não sei o que é ser inteira, estar plenamente presente e ser quem eu sou… Desde minha ida para a Alemanha, em pleno retorno de saturno, momento no qual perdi todos os meus referencias e mesmo sob estrelas inteiramente diferentes precisei reconstruir minha vida, mergulhei fundo nas minhas marés emocionais, em minhas dores (a maioria de origem desconhecida)  e em minha solidão, buscando trazer minhas áreas de sombra à luz, à autoconsciência. Somente um mergulho profundo que nos mostre a origem e traga a verdadeira causa da dor e da tristeza para fora pode curar.  E é isso que vim fazendo, em um longo processo que por hora chega ao fim.

Não quero mais negar nada. Esconder nada, me apegar a nada. Sei que mudei, embora seja ainda mais eu mesma. Não quero mais nada de fake, nade de acessório, nada que não seja eu mais na minha vida. Quero como a Galadriel, cada vez mais “me diminuir” e ser apenas…

Eu mesma.

Corri atrás de muitas ilusões, das soluções mais estapafúrdias para o vazio que minha vida parecia ser, acreditei em tanto ouro de tolo… Mas me atravessei de um lado ao outro, virei o avesso de mim mesma e enxerguei a nulidade de minha própria vida. Enxerguei também como eram sem sentidos muitos de meus desejos vazios, e aprendi a dar valor às coisas certas. Não quero ser uma senhora de muitos escravos,  não quero poder, não amo a espada por sua agudeza.  Não. É harmonia, beleza e cura o que desejo. Os abismos perderam seu appeal, bem como a morte e a destruição e a violência. O lado negro da forca perdeu o glamour, digamos, por que não o separo mais de mim mesma, não o nego mais. Mas muito menos o afirmo. Sei o que busco. Busco inteireza e integralidade. E também sei o que nao busco. Nao busco mais nenhum cavaleiro negro em armadura sombria capaz de me salvar de mim mesma e das prisoes que eu construira para mim.

Pela primeira vez posso dizer. Sei quem sou!!! E sou inteira (assim como o universo deveria ser, se a mente “humana” não tivesse aceitado as distorções que aceitou).

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Esse é o milagre e a maravilha do menos que é mais.