•21 outubro, 2008 • 3 Comentários

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Não sou

•29 maio, 2016 • Deixe um comentário

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Não sou os lugares onde estive, nem os livros que li.
Não sou as coisas que vivi, nem nada do que estudei.
Não sou o que aprendi.
Não sou os lugares em que trabalhei ou as coisas que tive.
Não sou as pessoas que conheci, nem nenhuma das experiências que vivi.
Não sou nada disso nem daquilo.
Não sou ninguém.
Não sou.
Simplesmente, não sou.
Mas fui, por uma fração de segundo, cada uma das coisas que amei.

Eternidade que não dura.
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ORDEM E PROGRESSO

•29 maio, 2016 • Deixe um comentário

O lema positivista. Mas sem amor, que essa gente não é disso. E é tanta coisa na minha cabeça que eu não sei quando volto a dormir. Se é que algum dia volto a dormir. Ver esse ‘Ordem e Progresso’ estampado por aí agora traz tanta coisa que eu nem sei por onde começar. A noite é longa e cheia de horrores: se a loucura das fogueiras me dava calafrios, a guilhotina da razão não assusta menos. Tem cheiro de gás no ar.

Bestificada vejo um cortejo que diz que a República nasceu de novo. Celebram o fim da ditadura comunista. As diretas já. O fim da ameaça comunista. O fim da monarquia. O fim do Império. “Brasileiro e sua mania de carnaval fora de época”… Já ouviram a história de que a república foi proclamada por um general de pijama? A fantasia da vez é a de Drácula. E de novo a mocinha no canto da tela, tão muda, bela e recatada! A imagem da virtude. Claro que a bruxa foi esconjurada. O que ela queria, essa amante do demônio, dessa voz que insiste em querer subverter a ordem vigente? Será que isso também vai virar charge no jornal, pichação na coluna neo-dórica da Igreja Positivista ou meme na internet? Já me perguntaram quando o riso se tornou conservador. Alguma vez a farsa teve possibilidade de não o ser? Entre a gargalhada e o sorriso, a diferença é a intensidade? O carnaval tem função catártica, li na análise de alguém. Mas como, se só dura quatro dias? É a válvula da panela de pressão — e por isso essa NUNCA estoura. Está tudo no limite, a aceleração é constante, o rei é morto, esquartejado, aviltado… A história acabou, mas continua, saca? Depois da quaresma vemos que o rei é outro mas o status quo permanece. Ainda que ninguém se lembre mais porquê.

Eu não aguento mais esse ‘riso’ que bate punheta enquanto boceja. Cadê a gargalhada da bruxa diante do demônio? Chega de pactos. Quero a plena e total subversão da ordem. O retorno dos antigos, a irrupção do caos, Cthulhu fhtagn! Acorda pela amor de deus e devora essa gente toda… Devora inclusive Satanás porque o filho primogênito, o preferido, até faz revolução… Mas a independência é de mentirinha e o lugar dele na sucessão de Portugal, digo, no paraíso, continua garantido. A mão esquerda de deus ainda é a mão de deus. Meu malvado favorito é o raio que o parta, pai das mentiras. No final a gente sabe a serviço de quem a farsa trabalha, não sabe?

Somos tão acostumados com a balbúrdia que ela é coreografada, lucrativa e sempre acaba a tempo da novela das 20h. Somos os reis da farsa até em fazer carnaval. Como fazer com que o carnaval não dure apenas 04 dias e termine numa quaresma de 40 dias de jejum? A mas-valia do prazer. Quero carnaval mais não. Ordem é o caralho, carnaval é o caralho. Chega de breves momentos que só servem para que resto seja suportável…

Uma parte de mim quer reler o livro do José Murilo sobre a proclamação da república e a farsa diante de uma multidão bestializada, que ainda está aí, igualzinho, sem entender nada e achando tudo engraçadíssimo. Outra quer reler o 18 de Brumário e pensar como a voz de Marx continua atual… E eu nunca fui comunista, então que Bakunin me perdoe. O pequeno homem torto também chegou ao poder ecoando a voz dos mortos em tom farsesco. Tem até video… De alguns mortos, que servem aos que estão bem vivos, diga-se de passagem. E claro que até a voz de Marx é a voz do demônio. Queria acreditar que tudo na história acontece duas vezes — primeiro como tragédia, ok, mas então como farsa. Somente duas vezes, aí a história acabou? Já não é essa grande historia única, eurocêntrica, masculina, uma grande farsa? Nunca houve nada além da farsa… Não quero ler mais não. Nem dormir. Quero acordar e ver a realidade ser devorada.

E que isso não se torne aquela piada chata do tio que pergunta “É para ver ou para comer?” Porque a piada já saiu da vida para entrar na história.

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•16 agosto, 2012 • Deixe um comentário

Eu compro livros que não leio

E as ideias mais uma vez me vem fácil à cabeça, como os versos que já não mais escrevo.

pois não as transcrevo.

E do que mais m…

•5 agosto, 2012 • Deixe um comentário

E do que mais me lembro, é do esquecimento. Eu esqueço. Eu não lembro, falta de memória que reside em mim. Não sei mais quem sou, de onde vim e nem o que eu quero. Perdi. 

Por que?

•23 novembro, 2011 • 1 Comentário

Já passa da hora de dormir

E a tristeza que me consome não vai embora

Mofo cresce nas paredes do meu quarto

(Estufa de plantas venenosas  em meu peito)

Tenho, aos olhos de todos, tudo que alguém poderia querer

Tenho tudo que sempre quis.

Por que não sou feliz?

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Acho que nasci com defeito.

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o livro de receitas

•23 junho, 2010 • 3 Comentários

Escrever sobre culinária talvez seja um dos meus maiores anseios. escrever um livro simples, intitulado “O livro de receitas”, que traga nao apenas receitas de como preparar aliemntos mas um pouco da vida que cada receita tem por trás.

Nao devíamos nunca subestimar o papel que o alimento tem em nossas vidas. Lar é cozinha. È onde mora o fogo, as antigas lareiras, que não mais existem, mas ao redor das quais as familias se reuniam, se aqueciam, cozinhavam o alimento, conversavam.  Não há familia sem o fogo em comum, no centro da casa, que alimenta e mantém à todos.

Cozinhar tem muito em comum com a vida. A vida que nós tanto esquecemos oque é, que tanto pressionamos pra que se adapte a nosso ritmo frenético e à nossa busca por certezas finais.

Cozinhar não é apenas passar uma receita, preto no branco, faça isso ou aquilo. Há uma sutileza em cozinhar que faz com que duas pessoas diferentes nunca preparem o mesmo prato de forma igual. Como desenhar, a “mão” que desenha sempre impregna seu trçao, seu estilo, as formas que traça. Cada cozinheiro tem uma alma que passa a seus pratos, e não existe uma fórmula. Cozinhar é sempre improviso, mesmo quando se faz a mesma receita, milhares de vezes, dias seguidos, exatamente igual. Assim como não é a mão e sim o olho quem deseja, não é a mão e sim o coração, quem cozinha.

Cozinhar é esperar. É saber o tempo exato pra cada coisa, pra cada ingrediente. Aliás, cozinhar é escutar, uma escuta silenciosa de quem espera o momento certo pra cada coisa.  As cebolas falam. O manjericão fala. Os tomates e cada um dos ingredientes falam, cantam canções perdidas, ensinam segredos que cabem a nós ouvintes atentos transcrever.

É isso que quero fazer aqui. Contar histórias, cantar receitas, ouvir o alimento, reverenciar o segredo e a trama da vida.  A minha vida, que se fez em torno de um fogão, dentro da cozinha, minha cozinha, a cozinha de meu pai, de minha avó, dentro da cozinha de todos os meus amigos, mundo afora.  Isto é um convite, e também um desafio. Assim como os maiores segredos são insondáveis porque estão sempre a vista (e por isso mesmo, ninguem vê), as coisas mais deliciosas da vida muitas vezes são as mais doloridas. Porque todo doce que não amarga um pouquinho no final seria ele sim, enjoado e repetitivo.

Tudo tem um ponto certo.

TARDE OCULTA NO TEMPO

•30 maio, 2010 • Deixe um comentário

(poema de Jorge de Lima)

Andarilho sem destino reparou então

que seus sapatos tinham a poeira diferente

de todas as pátrias pitorescas;

e que seus olhos conservavam as noites e os dias

dos climas mais vários do universo;

e que suas mãos se agitaram em adeuses

a milhares de cais sem saudades e amigos;

e que todo o seu corpo tinha conhecido

as mil mulheres que Salomão deixou.

E o andarilho sem destino viu

que não conhecia a Tarde que está oculta no tempo

sem paisagens terrenas, sem turismos, sem povos,

mas com a vastidão infinita onde os horizontes

são as nuvens que fogem.