o livro de receitas

Escrever sobre culinária talvez seja um dos meus maiores anseios. escrever um livro simples, intitulado “O livro de receitas”, que traga nao apenas receitas de como preparar aliemntos mas um pouco da vida que cada receita tem por trás.

Nao devíamos nunca subestimar o papel que o alimento tem em nossas vidas. Lar é cozinha. È onde mora o fogo, as antigas lareiras, que não mais existem, mas ao redor das quais as familias se reuniam, se aqueciam, cozinhavam o alimento, conversavam.  Não há familia sem o fogo em comum, no centro da casa, que alimenta e mantém à todos.

Cozinhar tem muito em comum com a vida. A vida que nós tanto esquecemos oque é, que tanto pressionamos pra que se adapte a nosso ritmo frenético e à nossa busca por certezas finais.

Cozinhar não é apenas passar uma receita, preto no branco, faça isso ou aquilo. Há uma sutileza em cozinhar que faz com que duas pessoas diferentes nunca preparem o mesmo prato de forma igual. Como desenhar, a “mão” que desenha sempre impregna seu trçao, seu estilo, as formas que traça. Cada cozinheiro tem uma alma que passa a seus pratos, e não existe uma fórmula. Cozinhar é sempre improviso, mesmo quando se faz a mesma receita, milhares de vezes, dias seguidos, exatamente igual. Assim como não é a mão e sim o olho quem deseja, não é a mão e sim o coração, quem cozinha.

Cozinhar é esperar. É saber o tempo exato pra cada coisa, pra cada ingrediente. Aliás, cozinhar é escutar, uma escuta silenciosa de quem espera o momento certo pra cada coisa.  As cebolas falam. O manjericão fala. Os tomates e cada um dos ingredientes falam, cantam canções perdidas, ensinam segredos que cabem a nós ouvintes atentos transcrever.

É isso que quero fazer aqui. Contar histórias, cantar receitas, ouvir o alimento, reverenciar o segredo e a trama da vida.  A minha vida, que se fez em torno de um fogão, dentro da cozinha, minha cozinha, a cozinha de meu pai, de minha avó, dentro da cozinha de todos os meus amigos, mundo afora.  Isto é um convite, e também um desafio. Assim como os maiores segredos são insondáveis porque estão sempre a vista (e por isso mesmo, ninguem vê), as coisas mais deliciosas da vida muitas vezes são as mais doloridas. Porque todo doce que não amarga um pouquinho no final seria ele sim, enjoado e repetitivo.

Tudo tem um ponto certo.

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~ por L. em 23 junho, 2010.

3 Respostas to “o livro de receitas”

  1. Adorei a ideia! Vá em frente!Cozinhar é um ato de paciência e de amor.

  2. Qual seria a receita de um bolo de porvir, assado no tempo?

    A receita que se faz, criada a partir dos ingredientes que se tem, ou dos que não se têm?

    Como fazer um bolo se a receita já é passado, os ingredientes já não serão os mesmos daqui há uma ínfima fração molecular do tempo que funde a matéria, e nem mesmo o desejo será o mesmo?

    Ficará então mais saboroso que o previsto, planejado, ansiado, ou menos?

    Se nem sequer o mais previsível dos ingredientes – o fogo – pode crepitar em labaredas dançantes de forma igual, desde o início dos tempos, a mais fugidia forma que existe e nos cativa desde as cavernas que jamais habitamos… Então me responda numa só palavra, como podes fazer bolos tão gostosos quanto dizes?

  3. E viver também é sempre de improviso.

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